Showing posts with label Deep wounds. Show all posts
Showing posts with label Deep wounds. Show all posts

Wednesday, February 17, 2016

Desde então a infância de Farida ficou órfã. Ela cresceu, acarinhada por si mesma, na infinita espera de sua mãe.


Mia Couto, Terra Sonâmbula

Saturday, January 23, 2016

das noites insones


Em ti existo enquanto personagem. Uma imagem criada pelo teu olhar inconstante, sem raízes no que disse ou escrevi, uma ideia de mim que interpretaste sem ver de facto. Não passaste da superfície, olhando-me com a retina deturpada dos fantasmas do passado que manietam e presumem o futuro. Talvez até tenhas tentado... e te tenhas distraído com o ruído dos teus próprios medos, ou pior, o ruído ensurdecedor das tuas certezas adquiridas no bingo do senso comum. Uma personagem cujo desassossego te prendia a atenção por segundos, o tempo de dizer "revejo-me em ti", nunca o tempo suficiente para olhar e ver que, afinal, um universo inteiro dentro. Nunca tempo bastante para ver que à tua frente tinhas gente e não uma entidade fictícia. Pele e sangue, não uma descrição de pele e sangue.


do incompreensível

["uma pessoa podia ficar presa nesse olhar", nunca percebi... ficou-me gravada a surpresa na tua voz, é tudo.]

Thursday, January 14, 2016

das pessoas que não se enganam e raramente têm dúvidas

"vamo-nos fazer mal" dizias tu, nunca um... "tenho receio que nos magoemos".
Como se tardasse em acontecer arregaçaste as mangas e não deixaste créditos por mãos alheias.


Sunday, January 10, 2016

dificilmente a casa que se recompôs após a tempestade resistirá, de pé, ao silêncio da ausência.

Wednesday, January 06, 2016

[mais um dia de espera nesta existência pastosa de antecipação. 
foges como um louco e sou eu quem tem as mãos a arder.]


Sunday, January 03, 2016

relatório clínico

Não é mais que um músculo frouxo, desgastado pelo uso inconsequente. Disforme.
Foi passando de mão em mão na promessa de que o seu uso seria honesto, digno de um sonhador que aproveita cada momento. Correu ultramaratonas enredado em silêncios e equívocos. Quase sempre campeão da invisibilidade.
Anos de abuso fazem com que conheça bem os cuidados intensivos. A cada novo internamento a promessa de uma técnica inovadora. Sugerem-se novos ensaios clínicos... os níveis de toxicidade altíssimos em troca do alívio temporário.
Começa agora a fase do delírio. Pouco restará em breve.

Friday, November 14, 2014

aviso à navegação

Aos aproveitadores e aos que vêem nas contas de cêntimos uma borracha para o sentimento de culpa:

Ide-vos todos foder!

Friday, November 07, 2014

idiotas com pinças

Tornámo-nos dois idiotas que gerem equívocos com pinças. Desenvolvemos a fórmula, pesamos cada grama, mantemos o espaço impecavelmente estéril, como se a segurança do laboratório pudesse conter a explosão.

Friday, October 24, 2014

Estou farta da tua existência em papel, em burocracia, em ansiedade. Há tanto que deixaste de ser e não termina. É brutalmente violento que o teu fim tenha que ser declarado judicialmente ou com reconhecimento notarial de assinaturas. Não bastam as cicatrizes?


Thursday, August 07, 2014

Sunday, May 18, 2014

da mágoa

Thought I had a dream once
Don't remember what
Your voice cut straight through me
Right down to my bones
Like a winter's wind it
Knocked out my soul

Thought I had some time here
Left my watch at home
Thought I had ideas once
But they were all on loan 
Thought I conquered something
Then it took me down
What I thought I heard clearly
It wasn't sound
Thought I felt your heartbeat
It was just my counting


Angel Olsen [...]

Saturday, May 17, 2014

[Fazer o quê quando o amor, já morto, se transforma em arritmia e náusea sempre que vejo o fantasma?]

Friday, April 25, 2014

cair o carmo e a trindade

Durante tanto tempo a ideia de ti não deixava nada de pé. Bastava um vislumbre para que se instalasse o caos. A falta de razões é devastadora.
A multidão ainda não te torna invisível mas hoje não foi mais do que uma oscilação. Estás pequeno, tens a barba desmazelada, perdeste o brilho. 



Wednesday, March 26, 2014

Save it for someone who cares...


tornámo-nos apenas estranhos com uma hipoteca comum.



Tinhas razão, as recordações não sobrevivem à falta de amor. Só te vejo as fraquezas, as incoerências de carácter: o perfeccionista que se esquece do óbvio; o intelectual incapaz de perceber o sofrimento do outro; o cobarde capaz de sacar das garras de manipulador. E sou eu quem anda de olhos postos no chão.... devíamos ter vergonha! e algum orgulho também.

Monday, February 17, 2014