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Monday, August 01, 2016

das ausências


repetiste tantas vezes que nos íamos magoar mas não foste capaz de o assumir enquanto preparavas esta fuga. faltou-te a coragem para dizer não quero estar contigo ou desculpa, não consigo. não sei como olhar para a caricatura em que te transformaste, a naturalidade com que vestes o papel não me deixa continuar a olhar-te nos olhos.
só porque tenho muito amor para dar isso não te dá o direito de tirar quando precisas e alimentares a ilusão de que te preocupas. terás tu consciência do que tem doído arrancar-te assim dos dias?

Saturday, June 25, 2016

366, para que s volte a ser de stranger

Chegaste atrasado, tiraste a roupa, falavas sobre os planos, os imprevistos, o que esperavam de ti. À medida que a noite ganhava corpo, a sombra abraçou-te, sedutora. Deixaste que a rotina do passado se instalasse confortavelmente aos comandos do frágil planador e nos despenhasse contra o solo. 
Durante a vertigem chamaste novamente por ela. Irritaste-te contigo por isso mesmo. Em segundos agarraste-te à versão pouco plausível de que "S" era também de "Stranger". Quando "S" é de fantasma. Numa noite mais quente que a de hoje incendiaste o pouco que construímos. E o fogo, purificador, não deixou nada.

Friday, June 17, 2016

there are wolves here abound*


[O teu velório tem sido público mas eu posso jurar que tu ainda não te sabes cadáver. Estou certa que vagueias pela noite à procura de outra imagem de ti, confuso por chegar sempre ao ponto de partida, vazio do constante rodopio. 
O corpo, imóvel, não espera nada, observa apenas a natureza imutável do teu medo de ser, de sentir. Sinto o movimento a nascer, o ombro num gesto imperceptível, contrário aos pés. A luz muda, o frio do rio lembra que é hora de voltar a casa e eu dou-me mais uns minutos, três, cinco, não mais que isso. Concedo, talvez um pouco mais, até que a humidade se cole na pele, até que mesmo de casaco vestido comece a tremer. 
Como posso não olhar? não tarda chegarão impecavelmente vestidos para juntar as flores, baixar a tampa, e tu deixarás de ser real. Quando me cruzar contigo sentirei o arrepio mas já não pertencerás a este mundo. Ficarás reduzido a essa sensação gelada de vazio. Não é triste que se tenha tornado tão previsível? Não é triste que se morra a cada tentativa? Já sinto os salpicos, estou quase a ir...]


*

Sunday, May 15, 2016

(des)ilusões


(tivesse eu sabido e não me teria entregue a uma pessoa assim. muito menos na intimidade onde se despedaçam corações.)


Friday, May 13, 2016

das noites insones


[escrever-te por engano e dizer que pequenas hemorragias alimentam uma anedótica anemia de mim.
podia terminar assim esta noite. ou continuar o plúmbeo silêncio.]


Friday, March 18, 2016


dias prenhes de inferno. o corpo em chamas. a passo lento perdemos tempo que não recuperaremos. perdemos também o orgulho, a energia. tornámo-nos apenas animais.


Saturday, January 23, 2016

das noites insones


Em ti existo enquanto personagem. Uma imagem criada pelo teu olhar inconstante, sem raízes no que disse ou escrevi, uma ideia de mim que interpretaste sem ver de facto. Não passaste da superfície, olhando-me com a retina deturpada dos fantasmas do passado que manietam e presumem o futuro. Talvez até tenhas tentado... e te tenhas distraído com o ruído dos teus próprios medos, ou pior, o ruído ensurdecedor das tuas certezas adquiridas no bingo do senso comum. Uma personagem cujo desassossego te prendia a atenção por segundos, o tempo de dizer "revejo-me em ti", nunca o tempo suficiente para olhar e ver que, afinal, um universo inteiro dentro. Nunca tempo bastante para ver que à tua frente tinhas gente e não uma entidade fictícia. Pele e sangue, não uma descrição de pele e sangue.


Sunday, January 10, 2016

dificilmente a casa que se recompôs após a tempestade resistirá, de pé, ao silêncio da ausência.

Wednesday, January 06, 2016

[mais um dia de espera nesta existência pastosa de antecipação. 
foges como um louco e sou eu quem tem as mãos a arder.]


Wednesday, June 18, 2014

Dias tépidos, revolta mansa

A uma escritura de distância de te transformares em nada. É curioso que sejam as formalidades legais a conferir-te uma existência...

Thursday, January 30, 2014

inaptos

"Mais uma vez, agradeço-te pela generosidade."

e o que faço eu com isso? diz-me, de que adianta a gratidão de um morto?


Saturday, January 25, 2014

inbox

(And through the daily devastation
We orbit in each other's wake
And in the coldness of the station
We board the train that lovers take
But when I try to talk to her
I don't speak that language anymore)


Rowland S. Howard*

25/01/12

Monday, January 13, 2014

R.E.M. sleep

Começaram por ser violentíssimos. As minhas mãos na tua camisa verde, um verde velho, gasto. Sentia o tecido enraivecido a segurar o teu corpo enquanto as palavras de gelo se desfaziam no teu sorriso absolutamente irreal.
No verão, a luz suave através dos cortinados, numa sucessão pouco habitual de janelas. Ao cimo das escadas de madeira, relaxado, contavas na tua voz mansa, como tudo estava perfeito... não pude evitar que estas mãos te agredissem e empurrassem. Vi-te sobreviver à queda, sem um arranhão.
E agora voltas, improvável, doce, reclamando o cadáver.
A surpresa é absoluta, pelo menos a violência era compreensível.


(12/2013)

Wednesday, November 21, 2012

Detachment

"A child's intelligent heart can fathom the depth of many dark places, but can it fathom the delicate moment of its own detachment?"

Henry's character