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Monday, May 21, 2018

Thursday, July 06, 2017

[tantas miudezas a ocupar as gavetas onde arrumamos os dias, a vida. inutilidades sem fim.]

Monday, June 26, 2017

[o vómito de ti seguido da tentativa de contenção. usa-se o que está à mão para evitar que o tecido do passado se impregne de absurdo.]

Saturday, November 19, 2016

[Not quite right, not quite fun, not quite interesting, not quite drunk, not quite visible, not quite alive. Moderadamente útil, moderadamente a jeito. 
Fuck you universo! Nada te basta para pagar a estadia.]


Sunday, October 23, 2016


[sangro em frases curtas no silêncio sufocante da distância, da solidão. em tempos os cortes , agora a agonia. não acaba nunca esta luta dentro da pele.]


Thursday, October 20, 2016

num assomo, de olhos postos no sofá e no eléctrico nocturno que decora a parede, percebo, finalmente, ser orfã de pais vivos, ou de colo que nunca chegou a ser. 
maracujá nascido e caído da figueira. a mesma que, ao fundo do quintal, tomba milímetros a cada ano que passa e só lembra o passado.

Wednesday, October 05, 2016

shhhh...


[o cansaço da espera, do relatório detalhado, o cansaço da noite, do silêncio. da ausência de uma mão no ombro que o envolva num abraço, da solidão, da invisibilidade. cansaço da repetição, da tentativa, da ingenuidade para não enlouquecer. o cansaço de nunca descolar dos aeroportos. o cansaço do ontem, do hoje, sem nada que faça prever que o amanhã seja diferente.]

Saturday, October 01, 2016

slow dance in her dreams

o silêncio alojado no espaço de um palmo que vai do externo à traqueia, é denso o filho da puta. escuro. engorda sugando a banalidade dos dias. a respiração superficial ajuda a lembrar como cresceu, o cabrão. a árvore frondosa do alheamento cresce rapidamente no substrato infértil de mim. 


Tuesday, September 27, 2016


[o corpo lateja, dos pulsos aos dedos, e destes às vértebras.]


Thursday, September 15, 2016

so faraway and yet so close


s.

Kiss so softly the mouths of the ones you love, 
beneath the September moon and the heavens above. 
And the world will turn without you, 
and history will soon forget about you


Nick Cave

Tuesday, August 23, 2016


Não me posso impedir de acreditar mesmo quando o olhar vai ficando vazio e a cabeça leve. O corpo frágil é nada quando sentimos o tanto que é.

Monday, August 15, 2016

chega-me, bem nutrido, um vazio vindo de longe. banalidades como jóias, tomadas por diálogo. repetição como exercício de normalidade.


Wednesday, July 06, 2016

Saturday, June 25, 2016

366, para que s volte a ser de stranger

Chegaste atrasado, tiraste a roupa, falavas sobre os planos, os imprevistos, o que esperavam de ti. À medida que a noite ganhava corpo, a sombra abraçou-te, sedutora. Deixaste que a rotina do passado se instalasse confortavelmente aos comandos do frágil planador e nos despenhasse contra o solo. 
Durante a vertigem chamaste novamente por ela. Irritaste-te contigo por isso mesmo. Em segundos agarraste-te à versão pouco plausível de que "S" era também de "Stranger". Quando "S" é de fantasma. Numa noite mais quente que a de hoje incendiaste o pouco que construímos. E o fogo, purificador, não deixou nada.

Wednesday, June 22, 2016

lonely lonely




(Distance makes the heart grow weak
So that the mouth can barely speak)

Monday, June 20, 2016





Habitam a noite. São criaturas pacientes, persistentes, insidiosas até. Profundamente desestabilizadoras obrigando à insónia, à agonia.



Friday, June 17, 2016

there are wolves here abound*


[O teu velório tem sido público mas eu posso jurar que tu ainda não te sabes cadáver. Estou certa que vagueias pela noite à procura de outra imagem de ti, confuso por chegar sempre ao ponto de partida, vazio do constante rodopio. 
O corpo, imóvel, não espera nada, observa apenas a natureza imutável do teu medo de ser, de sentir. Sinto o movimento a nascer, o ombro num gesto imperceptível, contrário aos pés. A luz muda, o frio do rio lembra que é hora de voltar a casa e eu dou-me mais uns minutos, três, cinco, não mais que isso. Concedo, talvez um pouco mais, até que a humidade se cole na pele, até que mesmo de casaco vestido comece a tremer. 
Como posso não olhar? não tarda chegarão impecavelmente vestidos para juntar as flores, baixar a tampa, e tu deixarás de ser real. Quando me cruzar contigo sentirei o arrepio mas já não pertencerás a este mundo. Ficarás reduzido a essa sensação gelada de vazio. Não é triste que se tenha tornado tão previsível? Não é triste que se morra a cada tentativa? Já sinto os salpicos, estou quase a ir...]


*

Tuesday, June 14, 2016

to all the men whom I have loved

How to walk and where to run 
How to walk and where to run 
I see you kissing in other peoples arms 
See you kissing in cheap bars 
How to walk and where to run 
How to walk and where to run 
I see you kissing oblivious 
Loving only your pain 
I'm walking in oblivion 
Walking in oblivion 
I walk with a childs face 
Remembering our days 
Walking in oblivion 
Walking in oblivion 
It's gotta give, it's gotta change 
Today is the day 

To all the men who I've loved 
To all the men who I've loved 
Something to free your angry hearts 
I'm opening up my arms 
To all the men whom I have loved 
To all the men whom I have loved 
Speak of the fear inside 
It's time to change, there still is time 
Do you remember walking? 
Do you remember watching? 
Our faces in the falling hearts of children 
To all the men whom I have loved 
To all the men whom I have loved 
I dedicate my song saying 
Today is the day 
Today is the day 

So we fall 
And we fall again 
And I have come 
To tell you today 
That I loved you 
There's still time to say 
We're falling hearts of our children 

Through hating and loving 
Through lucking and nothing 
Through all manner of sorrows 
That I have spoken 
I open up my tender heart 
I open up my tender heart 
To all the men whom I have loved 
All of those who I adored 
But I remember something 
I remember walking 
When my heart was frozen 
With that feeling 
It's gotta give, it's gotta change 
It's gotta give, it's gotta change 
Turning round and round saying 
Today is the day 
Today is the day 

So we fall 
And we fall again 
And I have come 
To tell you today 
That I loved you 
There's still time to say 
We're falling hearts of our children 

Falling 
Falling 
Falling 
Falling 
Falling


Polly Jean Harvey [aqui]

Saturday, May 21, 2016

Deste conta que morreu?


Colei folhetos pelo bairro, julgam tê-la visto com outras pessoas, em jantaradas, na noite, mas a verdade é que não voltou a casa, não recebi telefonemas a dizer que a encontraram. 
Tenho adiado o funeral mas é talvez hora dos preparativos. Uma coisa simples, discreta. Afinal a ausência é tanta, o silêncio, já ninguém ficará surpreendido com o cadáver. Nem valerá a pena o epitáfio. Foi um nada, foi tão pouco memorável, parece ridículo gravar em granito "eterna saudade do que não chegou sequer a ser" ou "aqui jaz a credulidade de uma amizade". E de qualquer forma seria hipócrita dizer o quê sobre algo que "precisa de pretextos" para acontecer.
Talvez pudéssemos publicar o obituário para os mais distraídos nestes meses. Não mais que uma linha, uma mera formalidade: "comunicamos a extinção do que unia X a Y após ausência prolongada de interesse.". Pode ser publicada sem destaque, como sem destaque foi sempre. Sem cerimónias, como em vida.

Sunday, May 15, 2016

(des)ilusões


(tivesse eu sabido e não me teria entregue a uma pessoa assim. muito menos na intimidade onde se despedaçam corações.)