O mínimo que podias ter feito era ter enfrentado os destroços da tua escolha, sabendo que isso poderia ter salvo uma vida... com a devida assistência não teríamos amputado a confiança no sonho.
- traz a sua declaração de intenções preenchida? ah, ainda não pensou nisso?... pois, compreendo... desculpe, vamos ter que ficar por aqui. Sabe... eu já não consigo confiar. Não, uma carta de recomendação não me chega.
Monday, February 25, 2013
As cores saturadas da ilha; aquela rua a norte da península; dezenas de recantos, os intermináveis parques, a loja italiana onde bebíamos café, o gato numa janela em Kreuzberg... de forma intermitente estas imagens assombram os meus dias, e eu não sei o que fazer com elas.
"if we could ever remove humiliation out of our psique then we can continue to learn things (...) I said if anyone has got a problem with it, that is your problem."
Who cares, who cares what the future brings? Black road long and I drove and drove I came upon a crossroad The night was hot and black (...) Oh let the damn day break The rainy days always make me sad Nick Cave*
Tuesday, February 19, 2013
And some people say it's just rock'n roll Oh, but it gets you right down to your soul Nick Cave
I dreamed that we buried something down in the dirt outback of where we lived something that was a secret and now it only comes back when I sleep and dream, dream will you wake up before you hit the ground?
No teu currículo há (mais) um ano de fuga e de culpa auto-inflingida. No meu figura um ano da mais pura desilusão. É demasiado tarde para o abraço que redime.
Mantive sempre os indisponíveis por perto. Amei-os. Justifiquei-lhes tudo, até o egoísmo extremo e a pobre comunicação. Não arrombei a entrada, esperei, pacientemente, incompreensivelmente. Recolhi as migalhas. E paguei caro a entrega - a heart filled with music is not enough.
And no more do I sing of things better left untold*
There's some cat on the saxophone Laying down a litany of excuses (...) She lives in some forgotten song And moves like she is zombie-strong Breathes steady as the pendulum keeps swinging Nick Cave*
in der Enklave meines Herzens in der ich mich verlier (...) Zwei grosse schwarze Raben fressen die Pflaumen aus dem Baum Ob die andre Stadt mich lieb hat ...? (...) Komm mich mal besuchen ich hab’ unendlich Zeit und der Blick der ist vom Feinsten über Wolken und die Stadt Blixa Bargeld [live oder nicht]
(in the enclave of my heart where I lose myself (...) Two large black ravens devouring the plums in the tree I wonder if the other city cares for me... (...) Come and pay me a visit I have unlimited time and the view is most lovely over the clouds and the town)
Vi o meu morto. Não fui capaz de ignorar a certidão de óbito, seria hipócrita e insensato. (Num acto reflexo as lágrimas caíram sem que me desse conta) *Nick Cave
Saturday, January 26, 2013
"espanta-me não sentir saudades, eu que sinto a falta de tudo. Ou talvez tenha mudado e sinta cada vez menos saudades daquilo que acabou. Não é verdade. É verdade. Não sei. Acho que não é verdade mas não sei. Pensando melhor, sei: não é verdade. A sério: não é verdade, sinto."
António Lobo Antunes, As lágrimas da lua, Visão nº 1038
Friday, January 25, 2013
"há textos que basta mudá-los de lugar e ficam outra coisa.
(...)
O romance tem a função maravilhosa de confrontar pessoas e os modos de ver o mundo. Eu não tenho medo dos romances que dizem coisas. Não tem mal nenhum uma obra de arte perturbar e ajudar a alterar a percepção das pessoas em relação ao mundo."
P.s. - He has words for you: My body's weak I feel my heart giving up on me I'm worried it might just be My body's weak, Feel my lungs giving up on me I'm worried it might just be Something my soul needs Something my soul needs Something my soul needs
Foi a minha primeira grande perda - a primeira desse ano.
Não houve dias suficientes para a despedida - nunca há. Não houve horas suficientes naquela tarde em que mo tiraram dos braços para o levar onde eu não consegui... não houve nada que me preparasse para a brutalidade daquele dia 17; a brutalidade de escolher o fim - esgotadas todas as hipóteses -, por querer que o sofrimento dele parasse; nada, absolutamente nada, me preparou para a brutalidade da ausência permanente e do tempo que demora a doer menos.
Não tenho terreno fértil para cultivar os sonhos. Pouca coisa pode crescer entre rocha e cinza. Num acto de resignação tento(am) convencer-me de que um dia será possível... que por agora tenho sorte por conseguir sequer ter ervas daninhas a começar a rebentar.
I don't know why I feel so tongue-tied Don't know why I feel So skinned alive. My thoughts are misguided and a little naive I twitch and I salivate like with myxomatosis You should put me in a home or you should put me down I got myxomatosis I got myxomatosis Thom Yorke*
There were nights and mornings When you come to me Found your way into my bones, my joints Into my veins Like an animal you coiled your darkness around me You spelled your name in charcoal All over my body Ane Brun
(Foi com grande surpresa que constatei que o meu corpo sobreviveu a este ano infernal. Saiu há pouco dos cuidados intensivos, mas ainda não é possível determinar os danos permanentes.)
Vai chegar o dia em que eu não escreverei mais sobre ti, mas amanhã não é ainda a véspera desse dia. Pedro Mexia (a-leiseca)
[Ouvi-o tocar, vi o teu nome e afastei-me. Não quero ouvir a tua voz, quero manter-te morto... mas desde esse momento que tenho um nó na garganta e o coração a bater descompassado. Anseio pela véspera de tal dia.]
Anjos de asas partidas ou arrancadas brutalmente. Despedaçados, já não nos guardam os sonhos. Cegos como nós, sangram ácido em vez de esperança. Vazios de amanhã. 31/03/2012
- "quando eu penso no que quero para o futuro tu não estás incluída";
- "o caminho que decidi percorrer é o do bem estar";
- "a minha vontade não é estar contigo";
- "não é terapêutico nem para mim nem para ti";
- "a verdade acima de tudo".
Like a far flung star There you are Littlest than before As you slip from my fingertips Left me here on the burning shore Searched and searched Ah, you were worth so much More than you ever thought you were Everything you believe I still carry with me Broken down on the burning shore And it must have felt much easier To have the stars along your side And it must have felt much easier To have the world along your side A Daddy's girl I see you curl And sleeping on the floor Maybe you dream a little dream of me Down here on the burning shore Yeah, there you are Attached to a star Beyond the point of no return Maybe you ought to spare a thought For those of us down here who never learn And it must have felt much easier To have the world along your side And it must have felt much easier To have the stars along your side
Out of sorrow entire worlds have been built Out of longing great wonders have been willed They're only little tears, darling, let them spill And lay your head upon my shoulder Outside my window the world has gone to war
Nick Cave
Monday, December 17, 2012
As últimas palavras foram secas, assépticas. Transportam o peso da desistência e da desilusão - não sei sequer se repararás na falta de calor, de humanidade. Foram escritas por quem não tolera nem mais um golpe numa pele cheia de cortes profundos e intermináveis.
What you've managed is to cheapen everything I've done and don't pretend to know what I've been through, son. And these days grievances come through my open door, (...) I was once a careless lover, now I live most undercover. Keaton Henson [http://www.youtube.com/watch?v=wvD4bAqj5qc]
Does he know when you're sad? You don't like to be touched, Let alone kissed. Does he know where your lips begin? Do you know who you are? Do you laugh, just to know what I lack? Do you know your lip shakes when you're mad? And do you notice when you're sad? You don't like to be touched, Let alone kissed. Does his love make your head spin?
Keaton Henson
Saturday, December 15, 2012
“os eucaliptos dos anos destroem tudo em torno de nós. Sobram cinzas, raízes, sombras, restos de pedras calcinadas, vozes ao rés da erva à procura da boca onde nasceram, a pedir que as escutemos. O que se ganha em troca? Uma cor diferente no silêncio, aquilo a que chamamos sabedoria e não é mais que uma tristeza resignada”
Não passo sequer no quarteirão do cemitério. Ainda não descobri como se faz o luto de um vivo. Só lhe consegui esquecer a voz... mas não o cheiro, a pele, as palavras e, sobretudo, o calor do abraço. Temo encontrá-lo a cada esquina e... perceber que não morreu ainda.