Wednesday, February 19, 2014

Monday, February 17, 2014

Friday, February 14, 2014





Safe to say
that I'll never be found
broken bones holding loose
you will be crowned
you will be crowned
queen of all you have found
you have found
alone

Micah P. Hinson

Wednesday, February 12, 2014

Viver sempre também cansa!
O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul,
ora é cinza, negro, quase verde...
Mas nunca tem a cor inesperada.
O Mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.
As paisagens também não se transformam.
Não cai neve vermelha,
não há flores que voem,
a lua não tem olhos
e ninguém vai pintar olhos à lua.
Tudo é igual, mecânico e exacto.
Ainda por cima os homens são os homens.
Soluçam, bebem, riem e digerem
sem imaginação.
E há bairros miseráveis, sempre os mesmos,
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe,
automóveis de corrida...
E obrigam-me a viver até à Morte!
Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois, achando tudo mais novo?
Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima dum divã
com a cabeça sobre uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas, meu amor do Norte.
Quando viessem perguntar por mim,
havias de dizer com teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
"Matou-se esta manhã.
Agora não o vou ressuscitar
por uma bagatela."
E virias depois, suavemente,
velar por mim, subtil e cuidadosa,
pé ante pé, não fosses acordar
a Morte ainda menina no meu colo...


José Gomes Ferreira

[miminho neozelandês do dia]

Tuesday, February 11, 2014




If you've still got some light in you then go before it's gone
Burn your fire for no witness 
it's the only way it's done


Angel Olsen 

Sunday, February 09, 2014

"sexo sem amor dá vontade de tomar banho por dentro"


"Destestava ser mulher, comenta um pouco a despropósito, 'ainda tinha de aturar um parvo a dizer mentiras, convencido de que era capaz de conquistar uma mulher, quando, na realidade, quem escolhe são elas. E eles, feitos tontos, já foram escolhidos mas não percebem, porque elas são generosas e convencem-nos disso'"


"É tão fácil dizer 'amo-te' e nunca dizemos. E ficamos com a ternura no colo como um bebé, sem saber o que fazer dela."


"Ao fim de três dias, Lobo Antunes dá sinais de inquietação. Tanta atenção, tanta ternura e alegria também cansam. 'Elas abraçam-me'*, consente, 'mas não são abraços apertados.' Está farto de jantar com gente erudita, de conversas existenciais. Apetecia-lhe citar Walt Whitman: 'I like animals because they don't discuss the existence of god.'"
*[referindo-se às anfitriãs da entrega do Prémio Nonino]


"Tenho saudades de Lisboa, tenho saudades do mau gosto, tenho saudades de ouvir dizer 'esta gaja é tão boa'. E o poder de síntese desta frase, já viu?"



in Três irmãs, a 'nona' e uma garrafa de grappa, Visão nº 1091
 

Saturday, February 08, 2014

Is life a ride to ride?
Or a story to shape and confide?
Or chaos neatly denied?


Bill Callahan (*)

Sunday, February 02, 2014

sad goodbye



















Orpheus

Standing firm on this stony ground
The wind blows hard
Pulls these clothes around
I harbour all the same worries as most
The temptations to leave or to give up the ghost
I wrestle with an outlook on life
That shifts between darkness and shadowy light
I struggle with words for fear that they'll hear
But Orpheus sleeps on his back still dead to the world


David Sylvian (*)

Friday, January 31, 2014

Continuo a ser feita de um material que não suporta mais tempestades, por vezes, ainda rasga ao sopro de uma brisa.

xeque

(há dias que parecem existir para nos lembrar que não somos jogadores: que não soubemos apostar ou que desistimos tarde demais.)

Wednesday, January 29, 2014

wanted nothing but...



unfucktheworld - 00:00-02:30

I quit my dreaming the moment that I found you
I started dancing just to be around you
Here's to thinking that it all meant so much more
I kept my mouth shut and opened up the door

I wanted nothing but for this to be the end
For this to never be a tied and empty hand
If all the trouble in my heart would only end
I lost my dream I lost my reason all again

It's not just me for you I have to look out too
I have to save my life
I need some peace of mind
I am the only one now
I am the only one now
I am the only one now
(...)

Angel Olsen

Saturday, January 25, 2014

366 + 365

Foi uma pena não teres ficado no capítulo do memorável. Tenho até dificuldade em admitir que exististe: quase não há provas ou registo nas memórias. Não fosse pela cicatriz, seria(s) um passado sem rasto.



inbox

(And through the daily devastation
We orbit in each other's wake
And in the coldness of the station
We board the train that lovers take
But when I try to talk to her
I don't speak that language anymore)


Rowland S. Howard*

25/01/12

Wednesday, January 22, 2014

Quando apagam a luz do quarto a noite deita-se em cima do meu corpo, de mistura com os passos no corredor que se transforma num espaço infinito de ecos e, às vezes, dos pezinhos da tristeza que, não sei como, chegou ao pé da cama e pode ser que me lamba uma das mãos, cortando-me, como uma faca, o medo pelo meio, eu tão sozinho, tão indefeso, tão frágil. Serei merecedor, quando for grande, de ter comigo o sol da manhã, o cheiro do pão quente, as lagartixas no quintal? Esta tristeza, assim mansa, permanecerá comigo? Deus, faz com que eu não cresça, não tires as lagartixas nem o sol da minha vida.


António Lobo Antunes, Crónica escrita por mim hoje às onze horas quando tive 6 anos, Visão nº 1090

Monday, January 13, 2014

R.E.M. sleep

Começaram por ser violentíssimos. As minhas mãos na tua camisa verde, um verde velho, gasto. Sentia o tecido enraivecido a segurar o teu corpo enquanto as palavras de gelo se desfaziam no teu sorriso absolutamente irreal.
No verão, a luz suave através dos cortinados, numa sucessão pouco habitual de janelas. Ao cimo das escadas de madeira, relaxado, contavas na tua voz mansa, como tudo estava perfeito... não pude evitar que estas mãos te agredissem e empurrassem. Vi-te sobreviver à queda, sem um arranhão.
E agora voltas, improvável, doce, reclamando o cadáver.
A surpresa é absoluta, pelo menos a violência era compreensível.


(12/2013)

"so many lives to cross"*



*David Sylvian

Sunday, January 05, 2014

Às vezes sentimo-nos desamparados sem saber que desamparados sempre

(...)

de que serve o passado, não temos certeza se existiu ou nos deram imagens que amontoamos na esperança de conseguir o que se chama vida



António Lobo Antunes, Não é meia noite quem quer

a culpa dos trapos



Tuesday, December 31, 2013

- Esquece isso
e julgava esquecido, apareceu-me sem querer, a quantidade de tralha, sepultada na gente, que ressuscita afirmando
- Eis-nos cá
trazendo pegada a ela mais ruínas consigo


António Lobo Antunes, Não é Meia Noite Quem Quer
quanto mais se bate no fundo mais ele baixa, mamã, baixa tão fundo o fundo que não o enxergamos como não nos enxergamos a nós



António Lobo Antunes, Não é Meia Noite Quem Quer
I lost my faith in the kindness of angels



a Jigsaw (*)

Saturday, December 21, 2013




And it hurts, man it really hurts
To know you’re a crow
when you should have been a hummingbird


a Jigsaw

Saturday, December 14, 2013

My heart has turned to stone
What if my heart has gone
The world is weary, tired enough
I need help to hold this love

Polly Jean Harvey (*)

Friday, December 13, 2013

tongue tied




Why don't you ask me
How long I've been waiting
Set down on the road
With the gunshots exploding
I'm waiting for you
In the gloom and the blazing
I'm waiting for you

I sing like a slave I know
I should know better
I've learned all my lessons
Right down to the letter
And still I go on like this
Year after year
Waiting for miracles
And shaking with fear

Why don't you answer
Why don't you come save me
Show me how to use
All these things
That you gave me
Turn me inside out
So my bones can save me
Turn me inside out

You've come this close
You can come even closer
The gunshots get louder
And the world spins faster
And things just get further
And further apart
The head from the hands
And the hands from the heart

One thing that's true
Is the way that I love him
The earth down below
And the sky up above him
And still I go on like this
Day after day
Still I go on like this

Now I've said this
I already feel stronger
I can't keep waiting for you
Any longer
I need you now
Not someday
When I'm ready
Come down on the road
Come down on the road

My name, my name
Nothing is the same
I won't go back
The way I came


Lhasa de Sela

Thursday, December 05, 2013

Werner's last blues to blockbuster




In the palm of my hand
An empire summoned
And as it was born
All the substance crumbled
It was a vain attempt
At the meaning of life
And I should have better ways
Of spending my time


Tuesday, December 03, 2013

stories we tell

When you are in the middle of a story it isn't a story at all, but only a confusion; a dark roaring, a blindness, a wreckage of shattered glass and splintered wood; like a house in a whirlwind, or else a boat crushed by the icebergs or swept over the rapids, and all aboard powerless to stop it. It's only afterwards that it becomes anything like a story at all. When you are telling it, to yourself or to someone else.


Margaret Atwood, Alias Grace

(*)
trailer Stories We Tell

"my anger is a storm with no rain"*




* David Eugene Edwards (?)

Friday, November 22, 2013