Thursday, February 20, 2014
Monday, February 17, 2014
Sunday, February 16, 2014
Friday, February 14, 2014
Thursday, February 13, 2014
Wednesday, February 12, 2014
Viver sempre também cansa!
O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul,
ora é cinza, negro, quase verde...
Mas nunca tem a cor inesperada.
O Mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.
As paisagens também não se transformam.
Não cai neve vermelha,
não há flores que voem,
a lua não tem olhos
e ninguém vai pintar olhos à lua.
Tudo é igual, mecânico e exacto.
Ainda por cima os homens são os homens.
Soluçam, bebem, riem e digerem
sem imaginação.
E há bairros miseráveis, sempre os mesmos,
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe,
automóveis de corrida...
E obrigam-me a viver até à Morte!
Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois, achando tudo mais novo?
Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima dum divã
com a cabeça sobre uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas, meu amor do Norte.
Quando viessem perguntar por mim,
havias de dizer com teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
"Matou-se esta manhã.
Agora não o vou ressuscitar
por uma bagatela."
E virias depois, suavemente,
velar por mim, subtil e cuidadosa,
pé ante pé, não fosses acordar
a Morte ainda menina no meu colo...
José Gomes Ferreira
[miminho neozelandês do dia]
O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul,
ora é cinza, negro, quase verde...
Mas nunca tem a cor inesperada.
O Mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.
As paisagens também não se transformam.
Não cai neve vermelha,
não há flores que voem,
a lua não tem olhos
e ninguém vai pintar olhos à lua.
Tudo é igual, mecânico e exacto.
Ainda por cima os homens são os homens.
Soluçam, bebem, riem e digerem
sem imaginação.
E há bairros miseráveis, sempre os mesmos,
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe,
automóveis de corrida...
E obrigam-me a viver até à Morte!
Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois, achando tudo mais novo?
Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima dum divã
com a cabeça sobre uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas, meu amor do Norte.
Quando viessem perguntar por mim,
havias de dizer com teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
"Matou-se esta manhã.
Agora não o vou ressuscitar
por uma bagatela."
E virias depois, suavemente,
velar por mim, subtil e cuidadosa,
pé ante pé, não fosses acordar
a Morte ainda menina no meu colo...
José Gomes Ferreira
[miminho neozelandês do dia]
Tuesday, February 11, 2014
Sunday, February 09, 2014
"sexo sem amor dá vontade de tomar banho por dentro"
"Destestava ser mulher, comenta um pouco a despropósito, 'ainda tinha de aturar um parvo a dizer mentiras, convencido de que era capaz de conquistar uma mulher, quando, na realidade, quem escolhe são elas. E eles, feitos tontos, já foram escolhidos mas não percebem, porque elas são generosas e convencem-nos disso'"
"É tão fácil dizer 'amo-te' e nunca dizemos. E ficamos com a ternura no colo como um bebé, sem saber o que fazer dela."
"Ao fim de três dias, Lobo Antunes dá sinais de inquietação. Tanta atenção, tanta ternura e alegria também cansam. 'Elas abraçam-me'*, consente, 'mas não são abraços apertados.' Está farto de jantar com gente erudita, de conversas existenciais. Apetecia-lhe citar Walt Whitman: 'I like animals because they don't discuss the existence of god.'"
*[referindo-se às anfitriãs da entrega do Prémio Nonino]
"Tenho saudades de Lisboa, tenho saudades do mau gosto, tenho saudades de ouvir dizer 'esta gaja é tão boa'. E o poder de síntese desta frase, já viu?"
in Três irmãs, a 'nona' e uma garrafa de grappa, Visão nº 1091
Tuesday, February 04, 2014
Sunday, February 02, 2014
Orpheus
Standing firm on this stony ground
The wind blows hard
Pulls these clothes around
I harbour all the same worries as most
The temptations to leave or to give up the ghost
I wrestle with an outlook on life
That shifts between darkness and shadowy light
I struggle with words for fear that they'll hear
But Orpheus sleeps on his back still dead to the world
David Sylvian (*)
The wind blows hard
Pulls these clothes around
I harbour all the same worries as most
The temptations to leave or to give up the ghost
I wrestle with an outlook on life
That shifts between darkness and shadowy light
I struggle with words for fear that they'll hear
But Orpheus sleeps on his back still dead to the world
David Sylvian (*)
Friday, January 31, 2014
xeque
(há dias que parecem existir para nos lembrar que não somos jogadores: que não soubemos apostar ou que desistimos tarde demais.)
Thursday, January 30, 2014
inaptos
"Mais uma vez, agradeço-te pela generosidade."
e o que faço eu com isso? diz-me, de que adianta a gratidão de um morto?
e o que faço eu com isso? diz-me, de que adianta a gratidão de um morto?
Wednesday, January 29, 2014
wanted nothing but...
unfucktheworld - 00:00-02:30
I started dancing
Here's to thinking that it all meant so much more
I
I wanted nothing but for this to be the end
For this to never be a tied and empty hand
If all the trouble in my heart would only end
I lost my dream
It's not just me for you I have to look out too
I have to save my life
I need some peace of mind
I am the only one now
I am the only one now
I am the only one now
(...)
Angel Olsen
Monday, January 27, 2014
Sunday, January 26, 2014
Saturday, January 25, 2014
366 + 365
Foi uma pena não teres ficado no capítulo do memorável. Tenho até dificuldade em admitir que exististe: quase não há provas ou registo nas memórias. Não fosse pela cicatriz, seria(s) um passado sem rasto.
Wednesday, January 22, 2014
Quando apagam a luz do quarto a noite deita-se em cima do meu corpo, de mistura com os passos no corredor que se transforma num espaço infinito de ecos e, às vezes, dos pezinhos da tristeza que, não sei como, chegou ao pé da cama e pode ser que me lamba uma das mãos, cortando-me, como uma faca, o medo pelo meio, eu tão sozinho, tão indefeso, tão frágil. Serei merecedor, quando for grande, de ter comigo o sol da manhã, o cheiro do pão quente, as lagartixas no quintal? Esta tristeza, assim mansa, permanecerá comigo? Deus, faz com que eu não cresça, não tires as lagartixas nem o sol da minha vida.
António Lobo Antunes, Crónica escrita por mim hoje às onze horas quando tive 6 anos, Visão nº 1090
António Lobo Antunes, Crónica escrita por mim hoje às onze horas quando tive 6 anos, Visão nº 1090
Monday, January 13, 2014
R.E.M. sleep
Começaram por ser violentíssimos. As minhas mãos na tua camisa verde, um verde velho, gasto. Sentia o tecido enraivecido a segurar o teu corpo enquanto as palavras de gelo se desfaziam no teu sorriso absolutamente irreal.
No verão, a luz suave através dos cortinados, numa sucessão pouco habitual de janelas. Ao cimo das escadas de madeira, relaxado, contavas na tua voz mansa, como tudo estava perfeito... não pude evitar que estas mãos te agredissem e empurrassem. Vi-te sobreviver à queda, sem um arranhão.
E agora voltas, improvável, doce, reclamando o cadáver.
A surpresa é absoluta, pelo menos a violência era compreensível.
(12/2013)
No verão, a luz suave através dos cortinados, numa sucessão pouco habitual de janelas. Ao cimo das escadas de madeira, relaxado, contavas na tua voz mansa, como tudo estava perfeito... não pude evitar que estas mãos te agredissem e empurrassem. Vi-te sobreviver à queda, sem um arranhão.
E agora voltas, improvável, doce, reclamando o cadáver.
A surpresa é absoluta, pelo menos a violência era compreensível.
(12/2013)
Sunday, January 12, 2014
Wednesday, January 08, 2014
Sunday, January 05, 2014
Saturday, January 04, 2014
Tuesday, December 31, 2013
Saturday, December 21, 2013
Saturday, December 14, 2013
My heart has turned to stone
What if my heart has gone
The world is weary, tired enough
I need help to hold thislove
Polly Jean Harvey (*)
What if my heart has gone
The world is weary, tired enough
I need help to hold this
Polly Jean Harvey (*)
Friday, December 13, 2013
tongue tied
Why don't you ask me
How long I've been waiting
Set down on the road
With the gunshots exploding
I sing like a slave I know
I should know better
I've learned all my lessons
Right down to the letter
And still I go on like this
Year after year
Waiting for miracles
And shaking with fear
Why don't you answer
Show me how to use
All these things
That you gave me
Turn me inside out
So my bones can save me
Turn me inside out
The gunshots get louder
And the world spins faster
And things just get further
And further apart
The head from the hands
And the hands from the heart
One thing that's true
Is the way that I love him
The earth down below
And the sky up above him
And still I go on like this
Day after day
Still I go on like this
Now I've said this
I already feel stronger
My name, my name
Nothing is the same
I won't go back
The way I came
Lhasa de Sela
Friday, December 06, 2013
Thursday, December 05, 2013
Wednesday, December 04, 2013
Tuesday, December 03, 2013
stories we tell
When you are in the middle of a story it isn't a story at all, but only a confusion; a dark roaring, a blindness, a wreckage of shattered glass and splintered wood; like a house in a whirlwind, or else a boat crushed by the icebergs or swept over the rapids, and all aboard powerless to stop it. It's only afterwards that it becomes anything like a story at all. When you are telling it, to yourself or to someone else.
Margaret Atwood, Alias Grace
(*)
trailer Stories We Tell
Margaret Atwood, Alias Grace
(*)
trailer Stories We Tell
Monday, December 02, 2013
Saturday, November 30, 2013
Friday, November 29, 2013
Wednesday, November 27, 2013
Monday, November 25, 2013
Friday, November 22, 2013
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