Friday, August 08, 2014

43

We know that nothing else for us is possible


Bonnie 'Prince' Billy

[o meu exemplo de respeito, partilha e companheirismo dura há 43 anos!]

Thursday, August 07, 2014

Sunday, July 27, 2014




Don’t wanna fall into your eyes again
Don’t wanna lose myself into this light
I could be the one to die in pain

Don’t wanna fall into this trap again
Don’t wanna lose myself into this fight
I could be the one to die in pain

But if you hold me tight
I’ll kiss you all night
Oh do you love me after all?


Woodkid

nothing adds up

Qohen Leth: Nothing adds up.
Joby: No. You've got it backwards, Qohen. Everything adds up to nothing, that's the point.
Qohen Leth: What's the point?
Joby: Exactly. What's the point of anything?



The Zero Theorem
[Terry Gilliam]

Tuesday, July 01, 2014




[Some jack of diamonds kicked her heart around 
Did they know they were walking on holy ground?]

Mark Lanegan

Wednesday, June 18, 2014

Dias tépidos, revolta mansa

A uma escritura de distância de te transformares em nada. É curioso que sejam as formalidades legais a conferir-te uma existência...
Uma das coisas mais tristes que a história nos ensina é que até o passado mente - quanto mais os nossos sentidos, ou o presente ou o futuro...


Rui Zink, A realidade agora a cores
Se eu inventar outra vida, será apenas para não ter que remoer na que tive e não usufrui decentemente.



Rui Zink, A realidade agora a cores

Wednesday, June 11, 2014




The beast
he plays his harp
He does deceive the hearts
False fires in the minds of men


David Eugene Edwards

Monday, June 02, 2014

Sunday, June 01, 2014

"aceitava fosse o que fosse de quem quer que fosse agora, [até os cães, que volta e meia ladravam nas quintas, eu desejava perto, até os moscardos]"


António Lobo Antunes, Não é meia noite quem quer



Há sonhos correndo 
doridos 
fechados


Adolfo Luxúria Canibal

Friday, May 30, 2014

E só com carícias se pode apagar um coração a arder



Adolfo Luxúria Canibal

Sunday, May 18, 2014

da mágoa

Thought I had a dream once
Don't remember what
Your voice cut straight through me
Right down to my bones
Like a winter's wind it
Knocked out my soul

Thought I had some time here
Left my watch at home
Thought I had ideas once
But they were all on loan 
Thought I conquered something
Then it took me down
What I thought I heard clearly
It wasn't sound
Thought I felt your heartbeat
It was just my counting


Angel Olsen [...]
os meus amigos não são aqueles para quem fui tudo até ao momento em que passei a ser nada, não são aqueles que me abandonaram quando deixei de lhes ser útil, os meus amigos não são aqueles com quem partilhei segredos e que, anos mais tarde, quando nos cruzamos por acaso, nem sei se hei-de cumprimentá-los.



José Luís Peixoto, Aquilo que os meus amigos esperam de mim, Visão nº 1103

Saturday, May 17, 2014

[Fazer o quê quando o amor, já morto, se transforma em arritmia e náusea sempre que vejo o fantasma?]

Canícula sem fim

O tempo alonga-se, lento, muito lento numa espera em que parece não ter fim. Imenso, seco, sem o ânimo de uma nuvem o horizonte dissipa-se movediço, sob a inclemência abrasadora do sol, não se vê vivalma. O pó que tenho entranhado nos poros mistura-se com o suor, engelhando-me a pele numa peganhenta camada de sujidade viscosa. Sorvo um pouco de água a tentar mitigar a sede que me corrói, e sinto amansar o ardimento dos lábios gretados pelo calor. Nos rostos duros que me rodeiam, de traços rigídos, e vincados, como se esculpidos em pedra, e dos olhares gélidos que me dirigem, percebo uma tensão crescente, mas ninguém quer dar parte fraca. Todos resistimos à aridez da demora na mais completa quietude, sem distrações, aproveitando as parcas sombras existentes para nos resguardarmos do lume solar. E continuamos a perscrutar permanentemente o horizonte à cata do ínfimo movimento, mas tirando o zumbido das moscas varejeiras, não se passa nada. É o tédio absoluto a cozer-nos em banho-maria, até à morte.



Adolfo Luxúria Canibal, Estilhaços Cinemáticos

Friday, May 16, 2014

Poesia como forma de colocar a afetividade em modo de pensamento e o pensamento em modo de afetividade. Como se sentir pudesse ser mansamente diminuído (ou aumentado) de forma a que não chegue ao grito, mas sim à sensata observação. Sentir para perceber melhor, não para gritar melhor.
Ironia, portanto, como modo de diminuir o disforme que há no grito e na excitação; dor e prazer transformados em verso que, dois metros acima desse solo que dói e tem prazer, diz: ali em baixo dói-me e tenho prazer, porém eu, aqui, enquanto verso, estou dois metros acima (pelo menos). Eis a ironia: o verso está a uma distância segura dessa vida sempre inseguríssima e por vezes parva - outras vezes excelentíssima, mas sempre incontrolável.



Gonçalo M. Tavares, Vasco Graça Moura, poesia, Visão nº 1106

Saturday, May 10, 2014

e, em lugar da ilusão de amor, silhuetas imprecisas, distantes.



António Lobo Antunes, Todos nós temos na vida uma ilusão mais querida, Visão nº 1105

Friday, May 09, 2014

também eu quero tirar de vós o que guardais de mais primitivo, o gesto gratuito e ainda não contaminado. Eu quero escolhas guiadas pela inspiração do desejo, falhas de tino e de provento. Os testículos estão sempre lúcidos. Que o móbil não seja mais que bizarria grotesca, aveludada no pântano das possibilidades. No deitar das sortes reencontro a inocência e a espontaneidade dos jogos de infância, a virgem e o absoluto. 


Adolfo Luxúria Canibal

Wednesday, May 07, 2014

edição

Era tão bom se a pessoa pudesse editar a vida! Dizer assim: esta pessoa tscctsccc [gesto de tesoura], esta viagem tscc tscc. Poder ganhar três anos perdidos, ou os minutos gastos a ler livros que eram uma merda, ou a falar com pessoas que não interessam e que não estão interessadas em nós. Tenho 58 anos, mas, em tempo perdido, devo ter praí uns 25...

Miguel Esteves Cardoso, Visão nº 1104

Friday, April 25, 2014

cair o carmo e a trindade

Durante tanto tempo a ideia de ti não deixava nada de pé. Bastava um vislumbre para que se instalasse o caos. A falta de razões é devastadora.
A multidão ainda não te torna invisível mas hoje não foi mais do que uma oscilação. Estás pequeno, tens a barba desmazelada, perdeste o brilho. 



Monday, April 21, 2014





engraçado... 
estavas à espera que esse bocado de tempo não viesse contigo?
e as más recordações, quem é que as lembra?
quem é que as consome?
já devias saber que a fome não dorme, e... 

Tuesday, April 15, 2014





This is a promise with a catch
Only if you're looking can it find you


Wednesday, March 26, 2014

Save it for someone who cares...


tornámo-nos apenas estranhos com uma hipoteca comum.



Tinhas razão, as recordações não sobrevivem à falta de amor. Só te vejo as fraquezas, as incoerências de carácter: o perfeccionista que se esquece do óbvio; o intelectual incapaz de perceber o sofrimento do outro; o cobarde capaz de sacar das garras de manipulador. E sou eu quem anda de olhos postos no chão.... devíamos ter vergonha! e algum orgulho também.