Friday, January 08, 2016
manifesto
ignorar os enigmáticos; os poetas; os que sentem a música sem sentir o outro; os que olham sem ver; os egocêntricos.
Thursday, January 07, 2016
Wednesday, January 06, 2016
Tuesday, January 05, 2016
an imaginary girl, a fiction
Swing pretty girl
Swing
It ain't real anyway
Fields so blue
All drenched in red
Clouds up in the sun
I feel so dead
David Lynch
Monday, January 04, 2016
Sunday, January 03, 2016
relatório clínico
Não é mais que um músculo frouxo, desgastado pelo uso inconsequente. Disforme.
Foi passando de mão em mão na promessa de que o seu uso seria honesto, digno de um sonhador que aproveita cada momento. Correu ultramaratonas enredado em silêncios e equívocos. Quase sempre campeão da invisibilidade.
Anos de abuso fazem com que conheça bem os cuidados intensivos. A cada novo internamento a promessa de uma técnica inovadora. Sugerem-se novos ensaios clínicos... os níveis de toxicidade altíssimos em troca do alívio temporário.
Começa agora a fase do delírio. Pouco restará em breve.
Saturday, January 02, 2016
Friday, January 01, 2016
note to self
Merteuil - Não voltareis a inflamar o meu coração. Nem mais uma vez. Nunca mais.
Heiner Müller
Heiner Müller
Thursday, December 31, 2015
Friday, December 25, 2015
[o tempo de um fósforo]
Um dia serás livro.
Terás uma bela capa dura, macia, cantos arredondados pelo sorriso espontâneo. Talvez sejas de um vermelho escuro de sangue e paixão oxidados pelo tempo. Ou, quem sabe, de um clássico preto, intemporal, memória das noites longas em que me conquistavas o mundo e eu partilhava contigo o sabor a sonho e a maresia de al berto.
Nas tuas folhas encontrarei entranhado o cheiro a tabaco e o aroma adocicado da tua pele que formava uma barreira, sou capaz de jurar, quase invisível junto à minha. O assombroso cheiro dessas noites quentes em que te mantinha acordado para poder gravar as cores dos teus olhos.
Páginas marcadas de frases curtas, dissecadas até ao osso. Algumas nascidas do ácido que nos corrói a esperança e nos doem como as cutículas que arrancamos, lentamente, em jeito de auto-punição. Outras mais doces que surgem das melodias que são também tu. E pelo meio as fotografias dos dias luminosos onde a possibilidade crescia nas pontas dos nossos dedos sem que a travássemos.
Serás um livro de acabamentos irrepreensivelmente perfeitos, no entanto, absolutamente inútil. O futuro não se faz de cadáveres.
S.
Wednesday, December 23, 2015
Friday, December 18, 2015
Wednesday, December 16, 2015
scared of the middle place between light and nowhere
[hope there's someone
who'll set my heart free
nice to hold when I'm tired]
Monday, December 14, 2015
Monday, December 07, 2015
Sunday, December 06, 2015
You can't just go on like that, sitting with melancholy purring on your lap
Just petting the gap between you and yourself
Alex Keiling (*)
Just petting the gap between you and yourself
Alex Keiling (*)
Saturday, December 05, 2015
Tuesday, December 01, 2015
Monday, November 30, 2015
Wednesday, November 25, 2015
Wednesday, November 18, 2015
Saturday, November 14, 2015
Monday, November 09, 2015
Wednesday, November 04, 2015
Monday, October 26, 2015
Tuesday, October 20, 2015
Wednesday, October 07, 2015
Tuesday, October 06, 2015
Wednesday, September 02, 2015
Sunday, August 30, 2015
Sunday, August 23, 2015
Friday, August 21, 2015
Sunday, August 16, 2015
Saturday, August 15, 2015
Friday, August 14, 2015
Saturday, August 01, 2015
Thursday, July 30, 2015
Wednesday, July 29, 2015
Tuesday, July 28, 2015
Monday, July 27, 2015
Pego na lâmina, estudo-lhe o gume. Pouso-a. Afasto-a... estico a mão, volto a tocar-lhe. Sinto-lhe a temperatura. Pondero as consequências do seu uso, afinal, não tenho muito a perder. Pouso-a. Não valerás a cicatriz. Duvido-me. Agarro-a novamente. Atiro-a para longe. Faço por ignorá-la, tento incendiar o silêncio. Repito.
Amanhã, a puta, continuará brilhante, tentadora.
Sunday, July 26, 2015
b.
A violência da tristeza deu lugar à desilusão e ao silêncio. Um mês é nada na guerra civil dos meus dias. Não te consigo fazer o luto. Não te gastei suficientemente para te enterrar já. No entanto, não te sinto as pulsações, a tua respiração é inaudível, o corpo clínico garante-me que a situação é irreversível. Esperei tanto quanto pude por uma recuperação surpreendente mas não há, sequer, uma resposta reflexa aos estímulos.
Ainda assim continuo a vaguear pela enfermaria, ouvindo o barulho ininterrupto das máquinas que teimam em lembrar-me que é hora de serem desligadas. Peço-me só mais um minuto, sempre só mais um minuto... mais um pouco para me despedir. Ambos sabemos que esse ruído será eterno. Está gravado fundo porque incompreensível.
Saturday, July 25, 2015
Mas seria sempre uma imagem, nunca a verdade. E esse foi provavelmente o grande erro: julgar que a verdade é captável de fora, com os olhos só, supor que existe uma verdade apreensível num instante e daí para diante tranquilamente imóvel, como nem uma mesmo a estátua o é, ela que se contrai e dilata à mercê da temperatura, que se corrói com o tempo e que modifica não só o espaço que a envolve como, subtilmente, a composição do chão onde assenta, pelas ínfimas partículas de mármore que vai soltando de si, como nós os cabelos, as aparas de unhas, a saliva e as palavras que dizemos.
José Saramago, Manual de Pintura e Caligrafia
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