Wednesday, September 21, 2016
Sunday, September 18, 2016
Saturday, September 17, 2016
Friday, September 16, 2016
as mãos, os pés calçados de lua, olhos inchados
ele caminha
vinho, bebe vinho como os deuses
esquece os corpos que o povoam, ouve vozes
pressentem-se vozes
a cidade existe em ti, mas ele tocou outros frios
outros marulhares, o vento cortante doutras ruas
um insecto luminoso, um eco
folha de árvore arrastando-se na lama, cigarro que se extingue na humidade da memória doutros dias
caminha, resta-lhe perder a memória
esvaziar-se
Al Berto, O Medo, págs 117-118
ele caminha
vinho, bebe vinho como os deuses
esquece os corpos que o povoam, ouve vozes
pressentem-se vozes
a cidade existe em ti, mas ele tocou outros frios
outros marulhares, o vento cortante doutras ruas
um insecto luminoso, um eco
folha de árvore arrastando-se na lama, cigarro que se extingue na humidade da memória doutros dias
caminha, resta-lhe perder a memória
esvaziar-se
Al Berto, O Medo, págs 117-118
Thursday, September 15, 2016
so faraway and yet so close
Friday, September 09, 2016
Thursday, September 08, 2016
Wednesday, September 07, 2016
Tuesday, August 30, 2016
Friday, August 26, 2016
Wednesday, August 24, 2016
Tuesday, August 23, 2016
Monday, August 15, 2016
Sunday, August 14, 2016
Friday, August 12, 2016
Wednesday, August 03, 2016
(...)
what the horizon only tells to us ghost
is that when its quiet in our heart
we become the diesel
we become the smoke
we become the prarie
we become spark
and the only song coming in on the radio
the only song coming in on the radio
well you take that map of the falling sky
and you lay it across your heart
and the lonliness between us is right where you are
and the lonliness between us is right where you are
Jason Molina
Tuesday, August 02, 2016
e o piano do coração aos trambolhões na escada rasgando cordas de veias (...) nunca vi uma pessoa ocupar tão pouco espaço como ele nessa tarde à medida que fragmentos indecisos principiavam a unir-se em mim, membranas transparentes e essa espécie de lágrimas que nos acompanham toda a vida, algumas vezes nas pálpebras mas a maior parte do tempo ocultas de nós, numa das pregas de desconsolo de que somos feitos, se conseguisse contar-vos, e não consigo, o que nos rói sem sabermos, o que custa sem darmos fé omitindo os segredos estrangulados e as misérias conscientes, tanta boneca falecida, tantos olhos só nossos que nos censuram
António Lobo Antunes, Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?
aqui há também uma coisa muito parecida com um idiota, que é um homem bom.
Pedro Mexia sobre o filme Um Homem Sério (Nov. 2015)
the fact that he sings so much about the heart, and about being filled with stuff, you know... sometimes dead stuff (...) his heart was open, always, and that sometime served him, and sometimes it meant that he felt everything.
[The Sad & Beautiful World of Sparklehorse - Bobby Dass, Alex Crowton]
Monday, August 01, 2016
das ausências
repetiste tantas vezes que nos íamos magoar mas não foste capaz de o assumir enquanto preparavas esta fuga. faltou-te a coragem para dizer não quero estar contigo ou desculpa, não consigo. não sei como olhar para a caricatura em que te transformaste, a naturalidade com que vestes o papel não me deixa continuar a olhar-te nos olhos.
só porque tenho muito amor para dar isso não te dá o direito de tirar quando precisas e alimentares a ilusão de que te preocupas. terás tu consciência do que tem doído arrancar-te assim dos dias?
Sunday, July 31, 2016
a janela em cima a iluminar um gato que nos ilumina a nós com as lamparinas dos olhos, há alturas no escuro em que só os gatos se acendem, que fazem eles no livro, de que região da infância veio este encher a página de sumaúma e silêncio
António Lobo Antunes, Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?
António Lobo Antunes, Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?
Thursday, July 28, 2016
Monday, July 25, 2016
Sunday, July 24, 2016
O Júlio Pomar disse-me sempre em alturas difíceis da minha vida
- Aguenta-te
que de facto é a única coisa que se pode dizer.
E eu tento aguentar, fingir que aguento quando sinto que me desmorono dentro de mim. Há sempre uma parede ou outra, ou um bocado de parede, que resiste e encosto-me a ela pensando
- Quando é que irá cair, quando é que irá cair?
Talvez caia, talvez não. E, se não cai, conseguiremos levantar tudo o resto? Ou uma parte do resto? Ou um resto do resto? Amanhar uma espécie de tecto? Ou sentar-me no chão, ao lado das pedras, sem olhar para elas? Sentir que me desmoronei também, me tornei uma ruína igualmente?
(...)
- Aguenta-te
comigo a tentar agrupar-me, juntar-me todo, defender-me, proteger o que sou, o que teima em existir de mim e não sei se me pertence ou está para ali como um velho retrato desfocado, do qual se não distinguem bem as feições. Torno-me uma pequenina coisa informe algures no meu corpo, torno-me um pingo de nada em silêncio, porém um silêncio que grita embora nem eu mesmo o oiça. Apercebo-me que grita apenas porque os meus ossos vibram, reduzidos a fios.
António Lobo Antunes, Visão nº 1220
- Aguenta-te
que de facto é a única coisa que se pode dizer.
E eu tento aguentar, fingir que aguento quando sinto que me desmorono dentro de mim. Há sempre uma parede ou outra, ou um bocado de parede, que resiste e encosto-me a ela pensando
- Quando é que irá cair, quando é que irá cair?
Talvez caia, talvez não. E, se não cai, conseguiremos levantar tudo o resto? Ou uma parte do resto? Ou um resto do resto? Amanhar uma espécie de tecto? Ou sentar-me no chão, ao lado das pedras, sem olhar para elas? Sentir que me desmoronei também, me tornei uma ruína igualmente?
(...)
- Aguenta-te
comigo a tentar agrupar-me, juntar-me todo, defender-me, proteger o que sou, o que teima em existir de mim e não sei se me pertence ou está para ali como um velho retrato desfocado, do qual se não distinguem bem as feições. Torno-me uma pequenina coisa informe algures no meu corpo, torno-me um pingo de nada em silêncio, porém um silêncio que grita embora nem eu mesmo o oiça. Apercebo-me que grita apenas porque os meus ossos vibram, reduzidos a fios.
António Lobo Antunes, Visão nº 1220
Wednesday, July 20, 2016
Tuesday, July 19, 2016
Monday, July 18, 2016
Sunday, July 17, 2016
Thursday, July 14, 2016
Wednesday, July 06, 2016
Thursday, June 30, 2016
Hope should be a controlled substance, hope should be a controlled substance, hope should be a controlled substance.
Blixa Bargeld [*]
Saturday, June 25, 2016
366, para que s volte a ser de stranger
Chegaste atrasado, tiraste a roupa, falavas sobre os planos, os imprevistos, o que esperavam de ti. À medida que a noite ganhava corpo, a sombra abraçou-te, sedutora. Deixaste que a rotina do passado se instalasse confortavelmente aos comandos do frágil planador e nos despenhasse contra o solo.
Durante a vertigem chamaste novamente por ela. Irritaste-te contigo por isso mesmo. Em segundos agarraste-te à versão pouco plausível de que "S" era também de "Stranger". Quando "S" é de fantasma. Numa noite mais quente que a de hoje incendiaste o pouco que construímos. E o fogo, purificador, não deixou nada.
Friday, June 24, 2016
Wednesday, June 22, 2016
Monday, June 20, 2016
Sunday, June 19, 2016
Saturday, June 18, 2016
Friday, June 17, 2016
there are wolves here abound*
[O teu velório tem sido público mas eu posso jurar que tu ainda não te sabes cadáver. Estou certa que vagueias pela noite à procura de outra imagem de ti, confuso por chegar sempre ao ponto de partida, vazio do constante rodopio.
O corpo, imóvel, não espera nada, observa apenas a natureza imutável do teu medo de ser, de sentir. Sinto o movimento a nascer, o ombro num gesto imperceptível, contrário aos pés. A luz muda, o frio do rio lembra que é hora de voltar a casa e eu dou-me mais uns minutos, três, cinco, não mais que isso. Concedo, talvez um pouco mais, até que a humidade se cole na pele, até que mesmo de casaco vestido comece a tremer.
Como posso não olhar? não tarda chegarão impecavelmente vestidos para juntar as flores, baixar a tampa, e tu deixarás de ser real. Quando me cruzar contigo sentirei o arrepio mas já não pertencerás a este mundo. Ficarás reduzido a essa sensação gelada de vazio. Não é triste que se tenha tornado tão previsível? Não é triste que se morra a cada tentativa? Já sinto os salpicos, estou quase a ir...]
Wednesday, June 15, 2016
6!
youme knows what meyou wants,
meyou knows what youme wants,
and it's granted
they defend each other against the past
if the future isn't bright at least it's colourful
so burn the ship come spring
Tuesday, June 14, 2016
to all the men whom I have loved
How to walk and where to run
How to walk and where to run
I see you kissing in other peoples arms
See you kissing in cheap bars
How to walk and where to run
How to walk and where to run
I see you kissing oblivious
Loving only your pain
I'm walking in oblivion
Walking in oblivion
I walk with a childs face
Remembering our days
Walking in oblivion
Walking in oblivion
It's gotta give, it's gotta change
Today is the day
To all the men who I've loved
To all the men who I've loved
Something to free your angry hearts
I'm opening up my arms
To all the men whom I have loved
To all the men whom I have loved
Speak of the fear inside
It's time to change, there still is time
Do you remember walking?
Do you remember watching?
Our faces in the falling hearts of children
To all the men whom I have loved
To all the men whom I have loved
I dedicate my song saying
Today is the day
Today is the day
So we fall
And we fall again
And I have come
To tell you today
That I loved you
There's still time to say
We're falling hearts of our children
Through hating and loving
Through lucking and nothing
Through all manner of sorrows
That I have spoken
I open up my tender heart
I open up my tender heart
To all the men whom I have loved
All of those who I adored
But I remember something
I remember walking
When my heart was frozen
With that feeling
It's gotta give, it's gotta change
It's gotta give, it's gotta change
Turning round and round saying
Today is the day
Today is the day
So we fall
And we fall again
And I have come
To tell you today
That I loved you
There's still time to say
We're falling hearts of our children
Falling
Falling
Falling
Falling
Falling
Polly Jean Harvey [aqui]
How to walk and where to run
I see you kissing in other peoples arms
See you kissing in cheap bars
How to walk and where to run
How to walk and where to run
I see you kissing oblivious
Loving only your pain
I'm walking in oblivion
Walking in oblivion
I walk with a childs face
Remembering our days
Walking in oblivion
Walking in oblivion
It's gotta give, it's gotta change
Today is the day
To all the men who I've loved
To all the men who I've loved
Something to free your angry hearts
I'm opening up my arms
To all the men whom I have loved
To all the men whom I have loved
Speak of the fear inside
It's time to change, there still is time
Do you remember walking?
Do you remember watching?
Our faces in the falling hearts of children
To all the men whom I have loved
To all the men whom I have loved
I dedicate my song saying
Today is the day
Today is the day
So we fall
And we fall again
And I have come
To tell you today
That I loved you
There's still time to say
We're falling hearts of our children
Through hating and loving
Through lucking and nothing
Through all manner of sorrows
That I have spoken
I open up my tender heart
I open up my tender heart
To all the men whom I have loved
All of those who I adored
But I remember something
I remember walking
When my heart was frozen
With that feeling
It's gotta give, it's gotta change
It's gotta give, it's gotta change
Turning round and round saying
Today is the day
Today is the day
So we fall
And we fall again
And I have come
To tell you today
That I loved you
There's still time to say
We're falling hearts of our children
Falling
Falling
Falling
Falling
Falling
Polly Jean Harvey [aqui]
Monday, June 13, 2016
"se nisto, pumba, vos perdesse?"
Que ideia mais parva termos crescido. Aprender a andar de bicicleta, aprender a jogar ténis, perseguir lagartixas no muro e como tudo isto gela em nós um bloco de saudade.
(...)
E acho que pela primeira vez na vida senti um cheiro a enxofre enquanto me apercebi confusamente que o mundo estava repleto de mistérios estranhos, ele que até então parecia tão simples, tão claro.
(...)
Porque perdi tudo isto? Porque deixei que tudo isto se perdesse? Era tão rico nesse tempo, tão cheio de minhocas e de nuvens.
(...)
Ternuras da memória por favor não me abandonem: o que seria de mim se nisto, pumba, vos perdesse?
António Lobo Antunes, Visão nº 1214
Saturday, June 11, 2016
Tuesday, June 07, 2016
Wednesday, June 01, 2016
Tuesday, May 31, 2016
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