Tuesday, November 08, 2016
Saturday, November 05, 2016
Wednesday, November 02, 2016
Sunday, October 23, 2016
Thursday, October 20, 2016
Saturday, October 15, 2016
Wednesday, October 12, 2016
Tuesday, October 11, 2016
Friday, October 07, 2016
Thursday, October 06, 2016
Wednesday, October 05, 2016
shhhh...
[o cansaço da espera, do relatório detalhado, o cansaço da noite, do silêncio. da ausência de uma mão no ombro que o envolva num abraço, da solidão, da invisibilidade. cansaço da repetição, da tentativa, da ingenuidade para não enlouquecer. o cansaço de nunca descolar dos aeroportos. o cansaço do ontem, do hoje, sem nada que faça prever que o amanhã seja diferente.]
Saturday, October 01, 2016
slow dance in her dreams
o silêncio alojado no espaço de um palmo que vai do externo à traqueia, é denso o filho da puta. escuro. engorda sugando a banalidade dos dias. a respiração superficial ajuda a lembrar como cresceu, o cabrão. a árvore frondosa do alheamento cresce rapidamente no substrato infértil de mim.
Wednesday, September 28, 2016
Monday, September 26, 2016
"perhaps my brains are old and scrambled"
I can't see the lines
I used to think I could read between
Perhaps my brains have turned to sand
Brian Eno [*]
Sunday, September 25, 2016
Thursday, September 22, 2016
Wednesday, September 21, 2016
Sunday, September 18, 2016
Saturday, September 17, 2016
Friday, September 16, 2016
as mãos, os pés calçados de lua, olhos inchados
ele caminha
vinho, bebe vinho como os deuses
esquece os corpos que o povoam, ouve vozes
pressentem-se vozes
a cidade existe em ti, mas ele tocou outros frios
outros marulhares, o vento cortante doutras ruas
um insecto luminoso, um eco
folha de árvore arrastando-se na lama, cigarro que se extingue na humidade da memória doutros dias
caminha, resta-lhe perder a memória
esvaziar-se
Al Berto, O Medo, págs 117-118
ele caminha
vinho, bebe vinho como os deuses
esquece os corpos que o povoam, ouve vozes
pressentem-se vozes
a cidade existe em ti, mas ele tocou outros frios
outros marulhares, o vento cortante doutras ruas
um insecto luminoso, um eco
folha de árvore arrastando-se na lama, cigarro que se extingue na humidade da memória doutros dias
caminha, resta-lhe perder a memória
esvaziar-se
Al Berto, O Medo, págs 117-118
Thursday, September 15, 2016
so faraway and yet so close
Friday, September 09, 2016
Thursday, September 08, 2016
Wednesday, September 07, 2016
Tuesday, August 30, 2016
Friday, August 26, 2016
Wednesday, August 24, 2016
Tuesday, August 23, 2016
Monday, August 15, 2016
Sunday, August 14, 2016
Friday, August 12, 2016
Wednesday, August 03, 2016
(...)
what the horizon only tells to us ghost
is that when its quiet in our heart
we become the diesel
we become the smoke
we become the prarie
we become spark
and the only song coming in on the radio
the only song coming in on the radio
well you take that map of the falling sky
and you lay it across your heart
and the lonliness between us is right where you are
and the lonliness between us is right where you are
Jason Molina
Tuesday, August 02, 2016
e o piano do coração aos trambolhões na escada rasgando cordas de veias (...) nunca vi uma pessoa ocupar tão pouco espaço como ele nessa tarde à medida que fragmentos indecisos principiavam a unir-se em mim, membranas transparentes e essa espécie de lágrimas que nos acompanham toda a vida, algumas vezes nas pálpebras mas a maior parte do tempo ocultas de nós, numa das pregas de desconsolo de que somos feitos, se conseguisse contar-vos, e não consigo, o que nos rói sem sabermos, o que custa sem darmos fé omitindo os segredos estrangulados e as misérias conscientes, tanta boneca falecida, tantos olhos só nossos que nos censuram
António Lobo Antunes, Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?
aqui há também uma coisa muito parecida com um idiota, que é um homem bom.
Pedro Mexia sobre o filme Um Homem Sério (Nov. 2015)
the fact that he sings so much about the heart, and about being filled with stuff, you know... sometimes dead stuff (...) his heart was open, always, and that sometime served him, and sometimes it meant that he felt everything.
[The Sad & Beautiful World of Sparklehorse - Bobby Dass, Alex Crowton]
Monday, August 01, 2016
das ausências
repetiste tantas vezes que nos íamos magoar mas não foste capaz de o assumir enquanto preparavas esta fuga. faltou-te a coragem para dizer não quero estar contigo ou desculpa, não consigo. não sei como olhar para a caricatura em que te transformaste, a naturalidade com que vestes o papel não me deixa continuar a olhar-te nos olhos.
só porque tenho muito amor para dar isso não te dá o direito de tirar quando precisas e alimentares a ilusão de que te preocupas. terás tu consciência do que tem doído arrancar-te assim dos dias?
Sunday, July 31, 2016
a janela em cima a iluminar um gato que nos ilumina a nós com as lamparinas dos olhos, há alturas no escuro em que só os gatos se acendem, que fazem eles no livro, de que região da infância veio este encher a página de sumaúma e silêncio
António Lobo Antunes, Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?
António Lobo Antunes, Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?
Thursday, July 28, 2016
Monday, July 25, 2016
Sunday, July 24, 2016
O Júlio Pomar disse-me sempre em alturas difíceis da minha vida
- Aguenta-te
que de facto é a única coisa que se pode dizer.
E eu tento aguentar, fingir que aguento quando sinto que me desmorono dentro de mim. Há sempre uma parede ou outra, ou um bocado de parede, que resiste e encosto-me a ela pensando
- Quando é que irá cair, quando é que irá cair?
Talvez caia, talvez não. E, se não cai, conseguiremos levantar tudo o resto? Ou uma parte do resto? Ou um resto do resto? Amanhar uma espécie de tecto? Ou sentar-me no chão, ao lado das pedras, sem olhar para elas? Sentir que me desmoronei também, me tornei uma ruína igualmente?
(...)
- Aguenta-te
comigo a tentar agrupar-me, juntar-me todo, defender-me, proteger o que sou, o que teima em existir de mim e não sei se me pertence ou está para ali como um velho retrato desfocado, do qual se não distinguem bem as feições. Torno-me uma pequenina coisa informe algures no meu corpo, torno-me um pingo de nada em silêncio, porém um silêncio que grita embora nem eu mesmo o oiça. Apercebo-me que grita apenas porque os meus ossos vibram, reduzidos a fios.
António Lobo Antunes, Visão nº 1220
- Aguenta-te
que de facto é a única coisa que se pode dizer.
E eu tento aguentar, fingir que aguento quando sinto que me desmorono dentro de mim. Há sempre uma parede ou outra, ou um bocado de parede, que resiste e encosto-me a ela pensando
- Quando é que irá cair, quando é que irá cair?
Talvez caia, talvez não. E, se não cai, conseguiremos levantar tudo o resto? Ou uma parte do resto? Ou um resto do resto? Amanhar uma espécie de tecto? Ou sentar-me no chão, ao lado das pedras, sem olhar para elas? Sentir que me desmoronei também, me tornei uma ruína igualmente?
(...)
- Aguenta-te
comigo a tentar agrupar-me, juntar-me todo, defender-me, proteger o que sou, o que teima em existir de mim e não sei se me pertence ou está para ali como um velho retrato desfocado, do qual se não distinguem bem as feições. Torno-me uma pequenina coisa informe algures no meu corpo, torno-me um pingo de nada em silêncio, porém um silêncio que grita embora nem eu mesmo o oiça. Apercebo-me que grita apenas porque os meus ossos vibram, reduzidos a fios.
António Lobo Antunes, Visão nº 1220
Wednesday, July 20, 2016
Tuesday, July 19, 2016
Monday, July 18, 2016
Sunday, July 17, 2016
Thursday, July 14, 2016
Wednesday, July 06, 2016
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