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Tuesday, January 17, 2017

10






















(resta-me apenas a imagem do teu corpo exausto em cima do coração, da tristeza da despedida, da luz débil que se prolongou nesse ano. já não dói.)

Tuesday, August 23, 2016


Não me posso impedir de acreditar mesmo quando o olhar vai ficando vazio e a cabeça leve. O corpo frágil é nada quando sentimos o tanto que é.

Monday, June 20, 2016





Habitam a noite. São criaturas pacientes, persistentes, insidiosas até. Profundamente desestabilizadoras obrigando à insónia, à agonia.



Sunday, May 15, 2016

(des)ilusões


(tivesse eu sabido e não me teria entregue a uma pessoa assim. muito menos na intimidade onde se despedaçam corações.)


Friday, May 13, 2016

das noites insones


[escrever-te por engano e dizer que pequenas hemorragias alimentam uma anedótica anemia de mim.
podia terminar assim esta noite. ou continuar o plúmbeo silêncio.]


S.

Monday, March 07, 2016


[Começas agora a desaparecer, se é que algum dia não foste mais que uma ilusão.

Vivo com a dúvida: qual de nós te apaga?]

Friday, January 15, 2016

is she?

she's still able, at night to watch
with a human heart
not just a ghost's heart 


Jason Molina [*]

Thursday, January 14, 2016

das pessoas que não se enganam e raramente têm dúvidas

"vamo-nos fazer mal" dizias tu, nunca um... "tenho receio que nos magoemos".
Como se tardasse em acontecer arregaçaste as mangas e não deixaste créditos por mãos alheias.


Sunday, January 10, 2016

dificilmente a casa que se recompôs após a tempestade resistirá, de pé, ao silêncio da ausência.

Friday, December 25, 2015

[o tempo de um fósforo]

Um dia serás livro. 
Terás uma bela capa dura, macia, cantos arredondados pelo sorriso espontâneo. Talvez sejas de um vermelho escuro de sangue e paixão oxidados pelo tempo. Ou, quem sabe, de um clássico preto, intemporal, memória das noites longas em que me conquistavas o mundo e eu partilhava contigo o sabor a sonho e a maresia de al berto. 
Nas tuas folhas encontrarei entranhado o cheiro a tabaco e o aroma adocicado da tua pele que formava uma barreira, sou capaz de jurar, quase invisível junto à minha. O assombroso cheiro dessas noites quentes em que te mantinha acordado para poder gravar as cores dos teus olhos. 
Páginas marcadas de frases curtas, dissecadas até ao osso. Algumas nascidas do ácido que nos corrói a esperança e nos doem como as cutículas que arrancamos, lentamente, em jeito de auto-punição. Outras mais doces que surgem das melodias que são também tu. E pelo meio as fotografias dos dias luminosos onde a possibilidade crescia nas pontas dos nossos dedos sem que a travássemos. 
Serás um livro de acabamentos irrepreensivelmente perfeitos, no entanto, absolutamente inútil. O futuro não se faz de cadáveres.

S.

Tuesday, December 01, 2015

[Podia jurar que o grito contido se está a disseminar por todas as células deste corpo. A náusea, o frio constante. Tratei-o sempre tão mal e continuo a repetir o processo nessa vã inocência de acreditar. Alguém o devia proteger de mim. Pôr termo a este ciclo.]

Monday, November 30, 2015

vou ressuscitar-te, assim poderás contar-me em sussurro o que fomos.
eu poderei contar-te o que esqueci. esta canção quase perdida na casa do nosso passado.


Al Berto, Luminoso Afogado

Monday, July 27, 2015

Pego na lâmina, estudo-lhe o gume. Pouso-a. Afasto-a... estico a mão, volto a tocar-lhe. Sinto-lhe a temperatura. Pondero as consequências do seu uso, afinal, não tenho muito a perder. Pouso-a. Não valerás a cicatriz. Duvido-me. Agarro-a novamente. Atiro-a para longe. Faço por ignorá-la, tento incendiar o silêncio. Repito. 
Amanhã, a puta, continuará brilhante, tentadora.

Sunday, July 26, 2015

b.

A violência da tristeza deu lugar à desilusão e ao silêncio. Um mês é nada na guerra civil dos meus dias. Não te consigo fazer o luto. Não te gastei suficientemente para te enterrar já. No entanto, não te sinto as pulsações, a tua respiração é inaudível, o corpo clínico garante-me que a situação é irreversível. Esperei tanto quanto pude por uma recuperação surpreendente mas não há, sequer, uma resposta reflexa aos estímulos.
Ainda assim continuo a vaguear pela enfermaria, ouvindo o barulho ininterrupto das máquinas que teimam em lembrar-me que é hora de serem desligadas. Peço-me só mais um minuto, sempre só mais um minuto... mais um pouco para me despedir. Ambos sabemos que esse ruído será eterno. Está gravado fundo porque incompreensível.