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Sunday, February 16, 2025
Monday, November 30, 2015
Wednesday, July 22, 2015
Sunday, April 19, 2015
Wednesday, June 12, 2013
Saturday, August 11, 2012
“estávamos sentados à sombra dos tamarindos. ouvíamos uma voz e não sonhávamos.
nenhum de nós sabia se o sonho, ou a morte, nos conduziria a algum porto de felicidade.
não me lembro o que aconteceu a seguir.
a noite deixava-se habitar por um silêncio escorregadio.
veio-me então ao pensamento o grande porto do sul onde aportaras e dizias ter sido feliz.
as horas começaram a cair umas sobre as outras, iguais, sem frémito, melancólicas.
quando te digo que vou de novo partir, perguntas-me: morre-se porquê?
caminhamos em direcções opostas. caminhamos sem destino pela cidade. a febre aniquila-nos.
existem Índias por descobrir, no segredo da noite dos nossos desastres.
caminhamos neste espaço de penumbras e de incertezas – onde a fala já não cintila e as palavras são de cinza.”
Al Berto, Luminoso Afogado
Wednesday, June 27, 2012
"You're a folk tale, the unexplainable"*
“no meu susto de estar vivo, uma agulha costura os órgãos
uns aos outros para que a dor não se espalhe pelo corpo. a dor, esse feixe de
nomes vibrando junto ao coração. um dia estarei longe, muito longe de mim e de
ti. terei perdido o corpo que te sente, irremediavelmente.”
Al Berto
Tuesday, June 12, 2012
Teus dedos de noite açucarada
“é tarde? que importância terá ser tarde se o cansaço do
mundo não abandona a roupa. ouço o corpo inquieto, imobilizado à porta de sua
própria destruição.
(…)
vou coser as pálpebras
de amianto com uma finíssima agulha de fogo, flexível, para não deixar cicatriz
na bainha azul das palavras, vou dormir abandonadamente sem tirar os óculos
escuros que me defendem contra o mundo, e no abismo das insónias
reinventar-te-ei.”
Al Berto
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