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Monday, November 30, 2015

vou ressuscitar-te, assim poderás contar-me em sussurro o que fomos.
eu poderei contar-te o que esqueci. esta canção quase perdida na casa do nosso passado.


Al Berto, Luminoso Afogado

Wednesday, July 22, 2015

bebo para que as remotas cicatrizes doutros corpos não desatem a doer.


Al Berto

Sunday, April 19, 2015

que horas serão dentro do meu corpo? que mineral vermelho jorraria se golpeasse uma veia?


Al Berto,  O Medo

Saturday, August 11, 2012


“estávamos sentados à sombra dos tamarindos. ouvíamos uma voz e não sonhávamos.
nenhum de nós sabia se o sonho, ou a morte, nos conduziria a algum porto de felicidade.

não me lembro o que aconteceu a seguir.
a noite deixava-se habitar por um silêncio escorregadio.
veio-me então ao pensamento o grande porto do sul onde aportaras e dizias ter sido feliz.
as horas começaram a cair umas sobre as outras, iguais, sem frémito, melancólicas.
quando te digo que vou de novo partir, perguntas-me: morre-se porquê?

caminhamos em direcções opostas. caminhamos sem destino pela cidade. a febre aniquila-nos.
existem Índias por descobrir, no segredo da noite dos nossos desastres.
caminhamos neste espaço de penumbras e de incertezas – onde a fala já não cintila e as palavras são de cinza.”

Al Berto, Luminoso Afogado

Wednesday, June 27, 2012

"You're a folk tale, the unexplainable"*


“no meu susto de estar vivo, uma agulha costura os órgãos uns aos outros para que a dor não se espalhe pelo corpo. a dor, esse feixe de nomes vibrando junto ao coração. um dia estarei longe, muito longe de mim e de ti. terei perdido o corpo que te sente, irremediavelmente.”

Al Berto

Tuesday, June 12, 2012

Teus dedos de noite açucarada


“é tarde? que importância terá ser tarde se o cansaço do mundo não abandona a roupa. ouço o corpo inquieto, imobilizado à porta de sua própria destruição.
(…)
vou coser as pálpebras de amianto com uma finíssima agulha de fogo, flexível, para não deixar cicatriz na bainha azul das palavras, vou dormir abandonadamente sem tirar os óculos escuros que me defendem contra o mundo, e no abismo das insónias reinventar-te-ei.”

Al Berto
S.