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Tuesday, April 15, 2025

Thursday, February 20, 2025



(não sei se valeu a pena. se calhar devíamos ter só ficado quietos.)

Monday, February 03, 2025

 

(hoje, tudo me lembra de ti. ganhas espaço numa ausência que se alimenta do que ficou por dizer, do que já não vale a pena ser dito.)  


Thursday, December 26, 2024

 

(não há racionalidade que sossegue o que se tenta que morra na garganta, apenas na garganta)


Monday, December 23, 2024

Sunday, October 23, 2016


[sangro em frases curtas no silêncio sufocante da distância, da solidão. em tempos os cortes , agora a agonia. não acaba nunca esta luta dentro da pele.]


Monday, August 01, 2016

das ausências


repetiste tantas vezes que nos íamos magoar mas não foste capaz de o assumir enquanto preparavas esta fuga. faltou-te a coragem para dizer não quero estar contigo ou desculpa, não consigo. não sei como olhar para a caricatura em que te transformaste, a naturalidade com que vestes o papel não me deixa continuar a olhar-te nos olhos.
só porque tenho muito amor para dar isso não te dá o direito de tirar quando precisas e alimentares a ilusão de que te preocupas. terás tu consciência do que tem doído arrancar-te assim dos dias?

Friday, June 17, 2016

there are wolves here abound*


[O teu velório tem sido público mas eu posso jurar que tu ainda não te sabes cadáver. Estou certa que vagueias pela noite à procura de outra imagem de ti, confuso por chegar sempre ao ponto de partida, vazio do constante rodopio. 
O corpo, imóvel, não espera nada, observa apenas a natureza imutável do teu medo de ser, de sentir. Sinto o movimento a nascer, o ombro num gesto imperceptível, contrário aos pés. A luz muda, o frio do rio lembra que é hora de voltar a casa e eu dou-me mais uns minutos, três, cinco, não mais que isso. Concedo, talvez um pouco mais, até que a humidade se cole na pele, até que mesmo de casaco vestido comece a tremer. 
Como posso não olhar? não tarda chegarão impecavelmente vestidos para juntar as flores, baixar a tampa, e tu deixarás de ser real. Quando me cruzar contigo sentirei o arrepio mas já não pertencerás a este mundo. Ficarás reduzido a essa sensação gelada de vazio. Não é triste que se tenha tornado tão previsível? Não é triste que se morra a cada tentativa? Já sinto os salpicos, estou quase a ir...]


*

Monday, March 07, 2016


[Começas agora a desaparecer, se é que algum dia não foste mais que uma ilusão.

Vivo com a dúvida: qual de nós te apaga?]

Wednesday, February 17, 2016

Desde então a infância de Farida ficou órfã. Ela cresceu, acarinhada por si mesma, na infinita espera de sua mãe.


Mia Couto, Terra Sonâmbula

Tuesday, February 02, 2016


[a nossa história tem a pele frágil de equívocos e coisas que quase foram.]


Saturday, January 23, 2016

das noites insones


Em ti existo enquanto personagem. Uma imagem criada pelo teu olhar inconstante, sem raízes no que disse ou escrevi, uma ideia de mim que interpretaste sem ver de facto. Não passaste da superfície, olhando-me com a retina deturpada dos fantasmas do passado que manietam e presumem o futuro. Talvez até tenhas tentado... e te tenhas distraído com o ruído dos teus próprios medos, ou pior, o ruído ensurdecedor das tuas certezas adquiridas no bingo do senso comum. Uma personagem cujo desassossego te prendia a atenção por segundos, o tempo de dizer "revejo-me em ti", nunca o tempo suficiente para olhar e ver que, afinal, um universo inteiro dentro. Nunca tempo bastante para ver que à tua frente tinhas gente e não uma entidade fictícia. Pele e sangue, não uma descrição de pele e sangue.


do incompreensível

["uma pessoa podia ficar presa nesse olhar", nunca percebi... ficou-me gravada a surpresa na tua voz, é tudo.]

Friday, January 15, 2016

is she?

she's still able, at night to watch
with a human heart
not just a ghost's heart 


Jason Molina [*]