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Tuesday, May 03, 2016

Mas é um destroço, Farida. Aqui só há outroras, isto é água riscando fósforos.


Mia Couto

Wednesday, February 17, 2016

Desde então a infância de Farida ficou órfã. Ela cresceu, acarinhada por si mesma, na infinita espera de sua mãe.


Mia Couto, Terra Sonâmbula

Wednesday, February 10, 2016

Quero pôr os tempos, em sua mansa ordem, conforme esperas e sofrências. Mas as lembranças desobedecem, entre a vontade de serem nada e o gosto de me roubarem do presente. Acendo a estória, me apago a mim. No fim destes escritos, serei de novo sombra sem voz.


Mia Couto, Terra Sonâmbula

Sunday, July 19, 2015

Andemos, meu amor,
de coração descalço sobre o sol


Mia Couto

Tuesday, August 14, 2012

Sonho

S.






Sonhava para me sentir longínqua, distante até do meu cheiro. (…) sonhei tanto até o sonho me sujar. (…) Não esqueça, você é pobre. E um pobre não sonha tudo, nem sonha depressa.


Mia Couto, Meia culpa meia própria culpa, Raiz de Orvalho e Outros Poemas

Monday, August 13, 2012

Ainda não é o justo momento


morre-se nada
quando chega a vez

é só um solavanco
na estrada por onde já não vamos

morre-se tudo
quando não é o justo momento

e não é nunca
esse momento


Mia Couto, Horário do fim, Raiz de Orvalho e Outros Poemas


Sunday, June 17, 2012


Somos feitos assim de espaçadas costelas, entremeados de vãos e entrâncias para que o coração seja exposto e ferível.


Mia Couto, Os olhos dos mortos

“tinha sido mais um ocaso que um caso. Não me recosturara daquela ferida. Sabem aquela misteriosa luz que parece arredondar o escuro quando apagamos todas as luzes? (…) Quando fecho os olhos para me passear no passado, ela é a primeira a visitar-me.”

Mia Couto, O caçador de ausências, O Fio das Missangas